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Saúde

Dieta com menos proteínas pode reduzir risco de câncer de fígado, aponta estudo

Pesquisa científica indica que diminuir o consumo de proteínas pode retardar o avanço de tumores hepáticos

07/03/2026 09:30
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Dieta com menos proteínas pode reduzir risco de câncer de fígado, aponta estudo

Uma dieta com menor ingestão de proteínas pode ajudar a reduzir o risco de câncer de fígado ou até retardar o avanço da doença em pessoas que já possuem problemas hepáticos. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Rutgers University, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Science Advances.

Nos experimentos realizados com camundongos, os cientistas observaram que animais submetidos a uma dieta pobre em proteínas apresentaram crescimento mais lento de tumores no fígado e menor taxa de mortalidade associada à doença.

Os resultados indicam que o acúmulo de amônia no organismo pode desempenhar um papel importante na progressão do câncer hepático.

Como o consumo de proteínas pode afetar o fígado

De acordo com os pesquisadores, quando o organismo metaboliza proteínas, o nitrogênio liberado pode ser convertido em amônia, uma substância tóxica para o corpo.

Em pessoas saudáveis, o fígado transforma essa amônia em ureia, que é posteriormente eliminada pela urina. No entanto, quando há doenças ou danos no fígado, esse processo pode ser prejudicado, levando ao acúmulo da substância no organismo.

Segundo Wei-Xing Zong, professor da Rutgers Ernest Mario School of Pharmacy e autor sênior do estudo, pacientes com problemas hepáticos devem ficar atentos à alimentação.

“Se você tem doença ou dano hepático que impede o fígado de funcionar corretamente, deve considerar seriamente reduzir a ingestão de proteínas para diminuir o risco de desenvolver câncer de fígado”, explicou o pesquisador.

Experimentos mostraram relação entre amônia e crescimento de tumores

Para entender melhor o papel da amônia no desenvolvimento do câncer, os cientistas induziram câncer de fígado em camundongos e desativaram geneticamente enzimas responsáveis pelo processamento dessa substância em parte dos animais.

Os camundongos que não conseguiam metabolizar a amônia apresentaram níveis mais altos do composto no organismo, desenvolveram tumores maiores e morreram mais rapidamente.

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Análises também indicaram que o excesso de amônia pode ser utilizado pelas células cancerígenas para crescer e se multiplicar, sendo incorporado em moléculas essenciais como aminoácidos e nucleotídeos.

Redução de proteínas pode ajudar a retardar a doença

Após identificar o mecanismo, os pesquisadores testaram uma estratégia alimentar para reduzir a produção de amônia: diminuir o consumo de proteínas.

Os camundongos submetidos a essa dieta apresentaram progressão mais lenta do câncer de fígado e maior tempo de sobrevivência, reforçando a hipótese de que a alimentação pode influenciar no avanço da doença.

Mudanças na dieta devem ter orientação médica

Apesar dos resultados promissores, especialistas alertam que a estratégia não se aplica a todos os pacientes.

Durante tratamentos contra o câncer, por exemplo, muitas vezes é recomendado aumentar o consumo de proteínas para preservar massa muscular, força e recuperação do organismo.

Por isso, qualquer alteração na alimentação deve ser feita sempre com acompanhamento médico ou nutricional, especialmente em pessoas que já possuem doenças no fígado ou estão em tratamento oncológico.

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