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Irã afirma controlar o estreito de Hormuz após ameaça dos EUA de escoltar petroleiros

Tensão cresce após declarações de Donald Trump e militares iranianos sobre passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial

06/03/2026 12:08
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Irã afirma controlar o estreito de Hormuz após ameaça dos EUA de escoltar petroleiros

A tensão entre os Estados Unidos e o Irã aumentou após declarações recentes sobre o controle do estratégico Estreito de Hormuz. Horas depois de o presidente americano Donald Trump afirmar que poderia enviar navios da Marinha para escoltar petroleiros na região, autoridades iranianas reagiram dizendo que o país mantém domínio total da área por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás comercializados no mundo.

Segundo a agência iraniana Fars, Mohamad Akbarzadeh, integrante das forças navais da Guarda Revolucionária do Irã, declarou que o estreito está sob “controle completo” da Marinha da República Islâmica.

Em resposta às declarações, o chefe do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, Brad Cooper, contestou a versão iraniana. Em vídeo publicado na rede social X, ele afirmou que não há embarcações iranianas navegando atualmente no Golfo Pérsico, no estreito de Hormuz ou no Golfo de Omã.

Região estratégica e risco de confronto

O estreito de Hormuz é considerado uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de energia. No ponto mais estreito, a passagem tem cerca de 33 quilômetros de largura entre o território iraniano e Omã.

Nos últimos anos, o Irã reforçou significativamente sua presença militar na região, instalando bases navais e aéreas, além de posicionar navios, minas marítimas, drones e sistemas de mísseis antinavio.

Apesar disso, analistas avaliam que parte das declarações pode ter caráter estratégico. Informações indicam que diversos navios iranianos teriam sido atingidos em operações conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel nos últimos dias, incluindo o navio Shahid Bagheri, embarcação adaptada para lançamento de drones e helicópteros.

Mesmo com possíveis perdas, especialistas alertam que o Irã ainda mantém capacidade de dificultar a navegação na região. O país possui bases com mísseis antinavio de longo alcance e também utiliza lançadores móveis, além de minas marítimas e drones, o que pode representar risco para embarcações que cruzam a área.

Capacidade militar e cenário de tensão

Antes do início do atual conflito, o Irã contava com uma frota de cerca de 70 embarcações costeiras, incluindo corvetas e submarinos diesel-elétricos, segundo dados do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. Paralelamente, a Guarda Revolucionária operava mais de 130 embarcações rápidas de pequeno porte.

Analistas avaliam que o momento atual representa uma espécie de teste estratégico entre os dois países, em que cada lado tenta demonstrar força enquanto evita uma escalada direta do conflito.

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Impactos no mercado de energia

A tensão já começa a afetar o mercado global de energia. Países da região e empresas de transporte marítimo têm evitado circular pelo estreito, o que provocou paralisações em parte da produção.

O Qatar, maior exportador mundial de gás natural liquefeito, suspendeu temporariamente atividades relacionadas ao transporte. Já o Iraque também avalia interromper parte da produção de petróleo.

Dados do sistema de monitoramento marítimo Marine Traffic mostram que diversos navios comerciais estão ancorados nos golfos Pérsico e de Omã, aguardando uma redução da tensão antes de retomar a navegação.

Pressão econômica global

O aumento da incerteza já provoca reflexos no preço do petróleo. Na quarta-feira (4), o barril chegou a cerca de US$ 84, o maior valor desde julho de 2024, embora ainda abaixo de picos registrados em conflitos anteriores.

Autoridades iranianas apostam que a pressão sobre o mercado de energia pode gerar impactos econômicos globais e aumentar a pressão política sobre Washington.

Enquanto isso, o governo de Trump afirmou que as oscilações são temporárias e que o mercado possui oferta suficiente para evitar uma crise mais ampla no fornecimento de energia.


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