Morte suspeita após aplicação de PMMA reacende alerta sobre riscos do procedimento estético
Especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em Goiás afirma que substância pode causar infecções, necrose e até levar à morte.
A morte de uma mulher de 59 anos em Anápolis, registrada no último domingo (8), por suspeita de complicações após aplicação de PMMA (polimetilmetacrilato), reacendeu o alerta de especialistas sobre os riscos do uso da substância em procedimentos estéticos.
Em entrevista ao Jornal Opção, o cirurgião plástico Wernon de Freitas, presidente regional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em Goiás, explicou que ainda não há confirmação de que a morte esteja diretamente ligada ao produto, mas destacou que a investigação policial segue em andamento.
Segundo o médico, o PMMA não deve ser utilizado para fins estéticos. “Não se pode afirmar ainda que o problema dela foi a aplicação feita há um ou dois meses. Isso precisa ser investigado. Mas o PMMA para fins estéticos não deve ser usado”, afirmou.
Substância pode se espalhar pelo corpo
De acordo com o especialista, o PMMA é um derivado do silicone considerado pesado e que apresenta risco de migração dentro do organismo, principalmente quando aplicado em grandes quantidades.
Ele explica que a substância pode atingir vasos sanguíneos e provocar complicações graves, como necrose, infecções e até danos a órgãos. “Ele pode migrar pelo corpo, atingir vasos, causar necrose, infeccionar, acumular nos rins e até chegar ao cérebro. Não há controle sobre para onde ele pode se deslocar”, alertou.
Uso estético já foi contestado por órgãos médicos
No ano passado, o Conselho Federal de Medicina solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária o banimento do uso de PMMA para fins estéticos, como preenchimentos em glúteos e rosto, após registros de complicações graves e mortes.
A Anvisa passou então a restringir a utilização da substância apenas para casos específicos, como correções volumétricas faciais e corporais e tratamento de lipodistrofia, proibindo o uso indiscriminado em procedimentos estéticos.
A própria Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica também orientou profissionais a não utilizarem o produto para fins estéticos, permitindo apenas em situações de cirurgia reparadora.
Procedimento ainda é divulgado nas redes sociais
Mesmo com os alertas médicos, o especialista afirma que o PMMA ainda é promovido em redes sociais para preenchimentos corporais, principalmente em regiões como glúteos, abdômen e peitoral.
Segundo ele, muitas vezes os procedimentos são realizados por pessoas sem formação adequada. “Normalmente não são cirurgiões plásticos, mas outros profissionais ou até leigos fazendo esse tipo de aplicação porque é um ganho fácil”, disse.
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Alternativas mais seguras
De acordo com o médico, a alternativa mais segura para preenchimentos corporais é o uso da própria gordura do paciente, retirada por meio de lipoaspiração e posteriormente reinjetada nas áreas desejadas.
Apesar de ser um procedimento mais complexo e caro, ele afirma que a técnica é considerada mais segura. “É necessário fazer uma lipoaspiração, tratar a gordura e depois aplicar. Pode ser necessário repetir o procedimento, mas é seguro”, explicou.
Substâncias temporárias, como o Ácido hialurônico, também podem ser utilizadas em alguns casos, embora o especialista afirme que atualmente prefere trabalhar apenas com enxerto de gordura.
Casos de complicações já ficaram famosos
O médico lembrou ainda casos conhecidos no Brasil, como o da modelo Andressa Urach, que sofreu graves complicações após a aplicação da substância e precisou passar por cirurgias para retirada do produto.
Segundo ele, a remoção do PMMA costuma ser difícil e pode deixar cicatrizes significativas.
Alerta aos pacientes
O especialista reforça que pacientes devem sempre exigir informações detalhadas sobre qualquer substância aplicada em procedimentos estéticos.
“É importante saber exatamente qual produto será usado e ter isso registrado em um termo de consentimento informado”, orientou.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em Goiás reforça que o uso indiscriminado do PMMA pode causar graves sequelas, danos renais e até levar à morte. Embora a causa do óbito em Anápolis ainda esteja sob investigação, o caso volta a acender o alerta sobre os perigos desse tipo de procedimento.
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