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Uso de canetas emagrecedoras reduz cirurgias bariátricas na rede privada, mas impacto no SUS em Goiás é mínimo

Alto custo dos medicamentos impede redução das cirurgias bariátricas no sistema público de saúde

07/03/2026 09:28
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Uso de canetas emagrecedoras reduz cirurgias bariátricas na rede privada, mas impacto no SUS em Goiás é mínimo

O avanço do uso das chamadas canetas emagrecedoras tem provocado uma redução no número de cirurgias bariátricas na rede privada de saúde nos últimos anos em Goiás. No entanto, no Sistema Único de Saúde (SUS), o impacto dessa mudança praticamente não foi percebido.

A avaliação é do cirurgião bariátrico Luiznei Rocha, integrante do Programa de Controle e Cirurgia da Obesidade (PCCO) do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG) e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

Segundo o especialista, enquanto hospitais privados registraram queda nas cirurgias após a popularização dos medicamentos para emagrecimento, a realidade na rede pública permanece praticamente a mesma.

Cirurgias bariátricas no SUS seguem estáveis em Goiás

Em Goiás, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG) é o único hospital habilitado pelo SUS para realizar cirurgias bariátricas. Mesmo com o crescimento do uso das canetas para emagrecimento, a unidade mantém uma média de aproximadamente 200 cirurgias por ano.

De acordo com o médico, o principal motivo para essa estabilidade é o alto custo do tratamento com medicamentos.

“Na rede privada houve uma queda significativa no número de cirurgias depois da popularização das canetas emagrecedoras, principalmente a partir de 2023. Já no SUS, o impacto foi praticamente zero porque estamos falando de medicamentos que podem custar de R$ 2 mil a R$ 3 mil por mês”, explica o cirurgião.

Ele ressalta que o tratamento completo pode chegar a R$ 10 mil ou até R$ 20 mil em poucos meses, considerando medicação, acompanhamento médico e suporte de equipe multiprofissional.

“É um valor que a maioria dos pacientes não consegue pagar”, afirma.

O que são as canetas emagrecedoras

As chamadas canetas emagrecedoras foram inicialmente desenvolvidas para o tratamento do diabetes tipo 2. Com o tempo, médicos observaram que os medicamentos também provocavam redução significativa de peso, passando então a ser utilizados no tratamento da obesidade.

Essas substâncias atuam no organismo imitando hormônios ligados ao metabolismo e à sensação de saciedade, o que reduz o apetite e ajuda no controle do peso.

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Apesar disso, o especialista alerta que o medicamento não substitui a cirurgia bariátrica quando existe indicação médica.

“Quando o paciente tem indicação para cirurgia bariátrica, ela ainda é a forma mais eficaz de perda de peso e de controle das doenças associadas à obesidade a longo prazo”, destaca o médico Luiznei Rocha.

Número de cirurgias bariátricas em Goiás

Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) mostram que a quantidade de cirurgias bariátricas na rede pública continua elevada.

Em 2024, foram realizadas 222 cirurgias bariátricas ao longo do ano. Os meses com maior número de procedimentos foram:

  • Março: 26 cirurgias
  • Abril, maio e junho: 23 cirurgias cada

Já em 2025, o HGG realizou 201 cirurgias bariátricas, distribuídas da seguinte forma:

  • Janeiro: 9
  • Fevereiro: 15
  • Março: 21
  • Abril: 16
  • Maio: 15
  • Junho: 16
  • Julho: 26
  • Agosto: 16
  • Setembro: 17
  • Outubro: 15
  • Novembro: 19
  • Dezembro: 16

Segundo o cirurgião, o hospital possui capacidade para realizar cerca de seis cirurgias bariátricas por semana.

“Em algumas ocasiões especiais, como no período do Dia Mundial da Obesidade, conseguimos ampliar esse número para chamar atenção para a doença”, explica.

HGG é referência em cirurgia bariátrica em Goiás

Desde 2019, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi já realizou 1.073 cirurgias bariátricas, consolidando-se como um dos principais centros de referência no tratamento da obesidade em Goiás.

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