Césio-137: Série da Netflix revive tragédia em Goiânia e governo propõe aumento de pensões
Quase 40 anos após o maior acidente radiológico da história, vítimas seguem em acompanhamento e Estado busca reajustar auxílio financeiro.
Por Redação Goiás Agora
Há quase quarenta anos, Goiânia vivenciou o maior acidente radiológico da história mundial fora de uma usina nuclear. Em 1987, o vazamento do Césio-137 mudou drasticamente a vida de centenas de goianos, deixando um rastro de mortes diretas, sequelas e mais de 6 mil toneladas de rejeitos radioativos.
O caso voltou a ganhar forte repercussão nas redes sociais nas últimas semanas após o lançamento da minissérie "Emergência Radioativa", na Netflix, que retrata a contaminação e os esforços dramáticos para conter a tragédia na capital goiana. Atualmente, mais de mil pessoas ainda frequentam o Centro de Assistência ao Radioacidentado (Cara), órgão criado para prestar apoio médico e psicológico à população afetada.
Aumento das pensões para as vítimas
Em meio à nova onda de atenção sobre o caso, o Governo de Goiás apresentou recentemente um projeto de lei para atualizar os valores pagos aos beneficiários que atuaram na descontaminação da área, na vigilância do depósito de Abadia de Goiás e no atendimento às vítimas diretas.
Segundo a proposta, os valores das pensões serão reajustados de forma significativa. O texto também estabelece a atualização da pensão especial vitalícia concedida a outros beneficiários. Confira como ficam os valores propostos:
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Segundo a proposta, os valores das pensões serão reajustados de forma significativa. Para os radiolesionados que tiveram contato direto com o Césio-137 ou que foram expostos a uma irradiação superior a 100 RAD, o benefício passará dos atuais R$ 1.908,00 para R$ 3.242,00. Já para os demais beneficiários e pessoas que atuaram na ocorrência, o valor do auxílio será corrigido de R$ 954,00 para R$ 1.621,00.
As vítimas fatais e os sobreviventes
Na época do acidente, o monitoramento realizado no Estádio Olímpico avaliou mais de 112,8 mil pessoas. Desse total, 249 apresentaram algum grau de contaminação e 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente.
O contato direto com o pó azul e brilhante resultou em quatro mortes confirmadas entre quatro e cinco semanas após a exposição, em decorrência da Síndrome Aguda da Radiação (SAR):
- Leide das Neves Ferreira (6 anos): Símbolo da tragédia, a criança brincou com o pó e ingeriu partículas. Ela faleceu em 23 de outubro de 1987 e foi sepultada em um caixão de chumbo de 700 quilos.
- Maria Gabriela Ferreira (37 anos): Esposa do dono do ferro-velho, foi ela a responsável por levar a cápsula à Vigilância Sanitária, evitando uma contaminação ainda maior da cidade. Faleceu no mesmo dia que Leide.
- Israel Batista dos Santos (20 anos): Funcionário do ferro-velho, trabalhou diretamente na remoção do chumbo da fonte. Faleceu em 27 de outubro.
- Admilson Alves de Souza (18 anos): Também funcionário do local, manipulou a fonte radioativa e faleceu no dia 28 de outubro.
Outras figuras centrais sobreviveram ao impacto imediato, mas carregaram as marcas da radiação. Devair Alves Ferreira, dono do ferro-velho, morreu sete anos depois. Ivo Alves Ferreira (pai de Leide) faleceu 15 anos após a tragédia. Já Odesson Alves Ferreira, irmão de Devair, sobreviveu à forte contaminação nas mãos e tornou-se um dos principais líderes na luta pelos direitos das vítimas do Césio-137.
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