Deputados jovens da base articulam mobilização nacional para ampliar apoio a Lula
Grupo quer ações regionais, presença em universidades e investimento em comunicação digital para recuperar eleitorado jovem
Resumo rápido
- Grupo quer ações regionais, presença em universidades e investimento em comunicação digital para recuperar eleitorado jovem
Deputados federais da nova geração da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão articulando uma mobilização nacional para ampliar o apoio ao petista na reta final da disputa presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia prevê ações regionais, presença em universidades e investimentos na comunicação digital, em meio à preocupação com a perda de espaço entre os eleitores mais jovens.
A articulação ganhou força na quarta-feira (7), quando parlamentares participaram de um almoço reservado após um encontro de Lula com integrantes atuais e novos eleitos da base aliada na Câmara dos Deputados. Entre os participantes da conversa estavam Jones Manoel (PSOL-PE), Ana Elisa (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Renato Freitas (PT-PR).
O grupo pretende aproveitar a experiência adquirida nas próprias campanhas eleitorais para desenvolver ações voltadas às características de cada região. Entre as pautas discutidas está a tarifa zero no transporte público, além de propostas que possam aproximar o discurso do governo das demandas dos eleitores.
A iniciativa também expõe divergências sobre os rumos da campanha petista. Enquanto integrantes da coordenação avaliam que os principais desafios estão relacionados à execução e à comunicação, parlamentares mais jovens defendem mudanças na própria linha política, com menos ênfase no passado e mais propostas voltadas ao futuro.
“Há uma divergência muito grande de linha política. A equipe de Lula acha que não há problema de linha, mas mais técnico e administrativo”, afirmou Jones Manoel. Segundo ele, a avaliação dos jovens parlamentares é que a campanha precisa apresentar perspectivas para os próximos anos, em vez de concentrar o discurso nas realizações anteriores.
A comunicação digital está entre as prioridades do grupo. Os parlamentares avaliam que as redes sociais são fundamentais para alcançar eleitores que acompanham a política principalmente pelo celular e defendem uma participação mais ativa de Lula nesse ambiente.
Ana Elisa, deputada federal eleita pelo PT em Minas Gerais, afirmou que se colocou à disposição para colaborar com a comunicação do presidente. A parlamentar, que construiu sua atuação política também nas redes sociais, defende a utilização de formatos digitais que respeitem o estilo do petista.
Na véspera do almoço, Lula havia reconhecido dificuldades com a produção de conteúdo para as plataformas digitais. Em reunião com senadores e governadores eleitos e derrotados, na segunda-feira (5), o presidente pediu desculpas à primeira-dama, Janja, e ao fotógrafo Ricardo Stuckert por não ter familiaridade com esse tipo de atividade.
Após receber sugestões para ampliar a produção de vídeos e selfies, Lula passou a aparecer em novos conteúdos publicados em seus perfis oficiais. Na quarta-feira, os parlamentares também gravaram materiais com o presidente, previstos para divulgação nas redes sociais.
Stuckert participou do encontro reservado na casa da deputada federal Camila Jara. Embora não integrasse a cúpula responsável pela coordenação da campanha, ele foi procurado pelos jovens parlamentares para levar as propostas do grupo ao presidente.
O plano prevê que cada deputado concentre esforços em sua região de atuação. Jones Manoel deve priorizar o interior de Pernambuco, com possibilidade de ampliar as atividades para o Rio Grande do Norte. Já Luna Zarattini (PT-SP) pretende desenvolver ações em São Paulo, incluindo a defesa do fim da escala de trabalho 6×1.
A mobilização ocorre em um cenário de disputa acirrada pelo eleitorado jovem. Na pesquisa Datafolha anterior ao primeiro turno, Lula tinha 48% das intenções de voto entre pessoas de 16 a 24 anos, ante 46% de Flávio Bolsonaro. No levantamento mais recente citado pelo grupo, o senador aparece com 50%, enquanto o presidente registra 43%.
No quadro geral, a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (8), a primeira após os resultados do primeiro turno, mostrou Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula.
Além da tentativa de recuperar apoio entre os mais jovens, a articulação representa a entrada de novos quadros na mobilização nacional do PT e de seus aliados. O grupo pretende combinar atividades presenciais e comunicação digital para ampliar o alcance da campanha na reta final da eleição.
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