Diabetes avança em Goiás e tratamento prioriza proteção de coração e rins
Doença silenciosa exige prevenção e exames de rotina; SUS amplia acesso a insulinas e Farmácia Popular oferece remédios gratuitos no estado
O diabetes se consolidou como um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Em Goiás, o aumento no número de diagnósticos tem acendido o alerta entre autoridades médicas. O cenário, porém, equilibra preocupação e otimismo: enquanto os fatores de risco crescem, a medicina e o Sistema Único de Saúde (SUS) avançam em prevenção, monitoramento e tratamentos inovadores.
O diabetes mellitus é uma síndrome metabólica decorrente da falta de insulina ou da incapacidade do organismo de empregar adequadamente o hormônio produzido pelo pâncreas, responsável por permitir que a glicose entre nas células e seja transformada em energia. O tipo 1 é uma doença autoimune, geralmente diagnosticada na infância ou adolescência, que exige uso diário de insulina. O tipo 2, ligado a sobrepeso, sedentarismo e hábitos alimentares, corresponde a cerca de 90% dos casos. Já o pré-diabetes é um estágio crítico: os níveis de glicose estão acima do normal, mas ainda não configuram a doença — estudos recentes apontam que esse quadro já danifica os vasos sanguíneos, elevando o risco de infarto e AVC.
Embora o tipo 1 não possa ser prevenido, o tipo 2 e o pré-diabetes podem ser evitados ou revertidos na maioria dos casos com mudanças no estilo de vida. A recomendação inclui alimentação equilibrada, com prioridade para alimentos in natura e redução de ultraprocessados e açúcares; atividade física regular, com 150 a 300 minutos semanais de exercício aeróbico moderado, conforme a OMS; controle de peso, já que a gordura abdominal está associada à resistência insulínica; e exames de rotina, como glicemia de jejum e hemoglobina glicada, para flagrar a doença silenciosa no início.
Em 2026, o tratamento ganhou novo foco. A Sociedade Brasileira de Diabetes atualizou suas diretrizes e passou a priorizar o controle de peso e a proteção do coração e dos rins, recomendando terapias combinadas desde o diagnóstico. Medicamentos como os agonistas de GLP-1, entre eles a semaglutida, ganharam destaque pelo controle glicêmico, redução de peso e de eventos cardiovasculares. A Anvisa aprovou ainda o registro do Kyinsu, combinação de insulina com semaglutida em aplicação única.
Na rede pública, o SUS passou a disponibilizar gradualmente a insulina glargina, de ação prolongada e aplicação uma vez ao dia, para crianças e adolescentes de 2 a 17 anos e idosos acima de 70 anos. Em Goiás, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) oferecem exames, consultas e acompanhamento multidisciplinar. Medicamentos essenciais, como metformina, glibenclamida e insulinas regular e NPH, estão disponíveis gratuitamente pela Farmácia Popular em farmácias conveniadas do estado, mediante receita atualizada e documento com foto.
Leia mais notícias sobre Saúde no Goiás Agora e fique por dentro de tudo!
Avalie esta notícia
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar nesta matéria.