Goiânia, Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
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Inteligência Artificial chega aos confinamentos bovinos para otimizar alimentação e reduzir custos

Tecnologia monitora preparação e distribuição de ração, identifica desvios e gera relatórios para apoiar decisões na pecuária

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Inteligência Artificial chega aos confinamentos bovinos para otimizar alimentação e reduzir custos

Resumo rápido

  • Tecnologia monitora preparação e distribuição de ração, identifica desvios e gera relatórios para apoiar decisões na pecuária

A Inteligência Artificial (IA) tem se tornado uma ferramenta cada vez mais presente no agronegócio, e nos confinamentos bovinos não é diferente. A tecnologia está sendo utilizada para automatizar o trato dos animais, auxiliando pecuaristas a controlar custos, reduzir desperdícios e melhorar o desempenho dos lotes. De acordo com o veterinário Henrique Lemes, a IA monitora desde a preparação da ração até a distribuição nos currais, identificando desvios e gerando relatórios que embasam a tomada de decisões.


O uso dessa tecnologia, já comum em países como Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos, busca resolver um dos principais gargalos da atividade: garantir que cada lote receba a quantidade exata de alimento prevista no planejamento nutricional. Como a alimentação representa parcela significativa dos custos do confinamento, erros na preparação ou na distribuição podem comprometer a rentabilidade.


"O boi não pode comer nem muito nem pouco. Se come muito, pode haver desperdício na indústria que faz a ração, no trajeto, no cocho. Outra coisa é o animal comer demais, o que pode provocar acidose ruminal. Ele vai estar comendo, gastando e não ganhando peso", explica Lemes.


O sistema automatiza etapas que antes dependiam de anotações manuais e planilhas. Com equipamentos de pesagem, sensores e identificadores eletrônicos, é possível acompanhar a quantidade de cada ingrediente utilizado na dieta e verificar se o volume distribuído corresponde ao planejado. Na prática, a tecnologia monitora o carregamento dos caminhões responsáveis pelo trato. Se a quantidade de milho, silagem, farelo de soja ou núcleo mineral estiver diferente da prevista, o sistema registra a divergência e permite que a equipe identifique o problema. O acompanhamento também ocorre durante a distribuição nos currais, onde cada lote recebe uma quantidade específica de alimento, conforme o planejamento nutricional e o horário estabelecido.


"Não é substituir o trabalho do 'peão', mas a gente reduz os erros de informação que ele gera. Só existe na Nova Zelândia e na Austrália um confinamento totalmente automático, mas ainda está em fase de teste", afirma o veterinário.


A IA pode indicar, por exemplo, que 80% dos lotes receberam a quantidade correta de comida, enquanto 10% consumiram mais do que o planejado e outros 10% ficaram abaixo da meta. A partir dessas informações, o sistema também sugere possíveis fatores associados aos desvios, como mudanças climáticas, calor ou chuva, que precisam ser verificados pela equipe responsável.


Embora a automação já esteja presente em grandes confinamentos, a redução dos custos dos equipamentos tem permitido ampliar o acesso à tecnologia. Segundo Lemes, a adoção desse tipo de solução começou a ganhar espaço entre grandes operações há cerca de cinco anos, mas agora há condições de atender também produtores médios e pequenos. O investimento varia conforme a estrutura da propriedade, o número de animais e a quantidade de equipamentos. A automação de cada estrutura de pesagem pode custar entre R$ 50 mil e R$ 80 mil, dependendo do equipamento. Já a implantação nos currais exige investimentos adicionais em identificadores eletrônicos, sensores e infraestrutura.


"As margens do confinamento são muito estreitas, não pode ter erro. A gente pensou em uma forma de automatizar toda essa controladoria, já que antigamente o pessoal pegava um papel, anotava. Era muito demorado, e era um serviço muito grande. O boi come todo dia, e ficava um negócio muito oneroso, muito demorado, e com muitas falhas. A partir disso, com esse volume de animais, que vem crescendo na parte de confinamento de uns 10, 15 anos para cá, permitiu a gente desenvolver esse tipo de tecnologia", concluiu.

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Tags: #automação #confinamento bovino #inteligência artificial #nutrição animal #pecuária de precisão

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