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Vaticano lança plataforma e pede que instituições católicas deixem de investir em mineração

Documento alerta para a exploração socioambiental e a alta demanda por minerais críticos gerada pelo avanço da inteligência artificial.

20/03/2026 17:27
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Vaticano lança plataforma e pede que instituições católicas deixem de investir em mineração

Por Redação Goiás Agora

O Vaticano lançou, nesta sexta-feira, a “Plataforma de Desinvestimento em Mineração”. O documento é um forte apelo para que instituições católicas de todo o mundo deixem de investir financeiramente no setor minerador, priorizando áreas mais éticas e com menor impacto socioambiental.

O projeto tem como base as denúncias da rede ecumênica "Igrejas e Mineração da América Latina", que desde 2013, com o apoio de mais de 40 instituições, expõe a violência e os conflitos ligados à expansão desenfreada da mineração em territórios vulneráveis.

Durante a coletiva de lançamento, o cardeal italiano Fabio Baggio, número dois do departamento do Vaticano responsável por questões ambientais, foi enfático: "Em muitas regiões do mundo, a expansão da indústria mineradora causou profundas tensões sociais e graves consequências ambientais. Não podemos nos calar diante de injustiças flagrantes".

O peso da Inteligência Artificial

Um ponto de grande destaque no evento foi o alerta sobre o avanço da inteligência artificial (IA). O bispo brasileiro Vicente Ferreira ressaltou que a tecnologia tem provocado uma verdadeira explosão na demanda por minerais críticos, como o cobalto, essencial para a fabricação de baterias e componentes de servidores.

"A inteligência artificial é um bom exemplo de quantos recursos minerais são consumidos pelas empresas de tecnologia", afirmou o bispo, cobrando que as grandes companhias do setor tratem os trabalhadores de forma justa. Em entrevista ao Vatican News, o religioso completou: "Seria uma contradição da nossa Igreja, que prega a defesa dos mais pobres e a ecologia integral, fazer parceria com empreendimentos que estão destruindo nossos territórios. Isso seria um pecado".

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A linha de atuação do Papa Francisco

A nova plataforma se inspira fortemente na encíclica Laudato Si’ (2015), o histórico documento do Papa Francisco focado na proteção ambiental e no conceito de ecologia integral. A medida segue uma tendência do Vaticano que, em 2020, já havia orientado o desinvestimento católico em indústrias de combustíveis fósseis e de armamentos.

A postura de Francisco ecoa os passos da própria Doutrina Social da Igreja, iniciada ainda no papado de Leão XIII, que já defendia a necessidade de proteger a dignidade humana e os direitos trabalhistas frente à exploração industrial.

Muitas das comunidades mais afetadas por essa exploração vivem na América do Sul, África e Ásia. O cardeal guatemalteco Álvaro Ramazzini citou o exemplo de seu país, onde os lucros da extração de ouro vão para nações ricas, enquanto a população local sofre com a contaminação da água por cianeto. "A questão é fazer governos e empresas entenderem que legalidade nem sempre coincide com justiça", concluiu.


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