Goiânia, Sábado, 03 de outubro de 2026
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Execução de Christa Pike falha no Tennessee e governador suspende aplicações em 2026

Condenada pela morte de uma colega em 1995, Pike recebeu duas doses de pentobarbital, continuou viva e foi levada a um hospital; Bill Lee determinou revisão independente do protocolo

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Execução de Christa Pike falha no Tennessee e governador suspende aplicações em 2026

A execução de Christa Gail Pike, de 50 anos, não foi concluída na quarta-feira (30), no Tennessee, nos Estados Unidos. Condenada à morte pelo assassinato de uma colega em 1995, quando tinha 18 anos, Pike recebeu duas doses do medicamento usado na injeção letal, mas continuou viva e precisou ser retirada da prisão em uma ambulância.


Segundo os advogados da condenada, as duas doses administradas foram de pentobarbital. A informação consta de documentos apresentados pela defesa. O Departamento de Correção do Tennessee confirmou que Pike foi levada para uma unidade médica externa, mas afirmou que os funcionários seguiram o protocolo de execução estabelecido pelo Estado.


Relatos de testemunhas indicaram que Pike continuava respirando após a aplicação dos medicamentos. A situação levou à interrupção do procedimento e à retirada dela do presídio. Até as últimas informações divulgadas, não havia confirmação pública sobre seu estado de saúde no hospital.


Após o episódio, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou uma revisão independente do procedimento e suspendeu as demais execuções previstas no estado para 2026. Lee afirmou que aplicar uma sentença de morte é responsabilidade do Estado e que o processo precisa ocorrer dentro das exigências legais e constitucionais.


O Departamento de Correção declarou que cumpriu todas as etapas do protocolo aprovado pela Procuradoria-Geral do Tennessee, que não prevê procedimentos adicionais além dos realizados na noite de quarta-feira. O caso ocorre meses depois de outra execução malsucedida no estado: em maio, o Tennessee interrompeu a tentativa de injeção letal em Tony Carruthers porque os responsáveis não encontraram uma veia adequada.


A tentativa de execução de Pike ocorreu após uma sequência de decisões judiciais. Horas antes, a Corte de Apelações do 6º Circuito havia suspendido temporariamente o procedimento para analisar questões apresentadas pela defesa. Na noite de quarta-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou a suspensão e autorizou o Tennessee a prosseguir. A decisão teve divergência das juízas Sonia Sotomayor, Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson.


A defesa argumentava que elementos da infância e da adolescência de Pike, incluindo histórico de abusos, e sua idade quando cometeu o crime não haviam sido adequadamente considerados no processo que resultou na pena de morte.


Pike foi condenada pela morte de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. As duas eram colegas no Knoxville Job Corps, programa de formação profissional no Tennessee. Segundo o processo, Pike e dois adolescentes participaram do crime. Tadaryl Shipp, então namorado de Pike, tinha 17 anos e recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Shadolla Peterson, que também tinha 18 anos, colaborou com as autoridades e recebeu pena diferente da de Pike.


Condenada à morte em 1996, Pike passou mais de três décadas no corredor da morte e era a única mulher nessa condição no Tennessee. A execução seria histórica: caso fosse concluída, ela seria a primeira mulher executada pelo estado em mais de dois séculos e a primeira pessoa executada no Tennessee, na era moderna da pena de morte, por um crime cometido aos 18, 19 ou 20 anos, segundo o Death Penalty Information Center.


Antes da tentativa, o governador Bill Lee havia rejeitado o pedido de clemência da defesa. Agora, além da situação jurídica de Pike, o governo estadual terá de esclarecer as circunstâncias que impediram a morte durante o procedimento. A investigação independente deverá analisar o cumprimento do protocolo e os fatores que levaram à interrupção da execução. Até que a apuração avance, não há confirmação sobre uma nova tentativa.

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