Ferrovia entre Brasília e São Mateus avança em licenciamento e prevê obras a partir de 2027
Projeto da Estrada de Ferro Juscelino Kubitschek está em análise no Ibama; concessionária Petrocity estima investimento de mais de R$ 14 bilhões no traçado de 1.300 km.
A Estrada de Ferro Juscelino Kubitschek, que pretende ligar Brasília a São Mateus, no litoral do Espírito Santo, avança em estudos ambientais e projeta iniciar as obras a partir de 2027. O traçado previsto supera 1.300 quilômetros e atravessaria 38 municípios em Goiás e Minas Gerais, integrando o chamado Corredor Centro-Leste, que, segundo a proposta, poderá superar dois mil quilômetros no futuro.
O projeto está em análise no Ibama, que avalia o estudo de impacto ambiental já apresentado. A Agência Nacional de Transportes Terrestres reconheceu a obra como de utilidade pública em 2024, conforme a referência. O processo de desapropriação avança enquanto a empresa aguarda o desfecho do licenciamento. Caso o calendário se cumpra, a construção deve começar em 2027 e o corredor ficaria pronto entre 2030 e 2031.
A ferrovia integra o programa federal Pró Trilhos e está sob concessão da Petrocity Ferrovias. A empresa estima mais de R$ 14 bilhões em investimentos e planeja construir unidades de transbordo e apoio à carga ao longo do trajeto, formando novos polos logísticos.
As projeções citadas pela referência apontam mais de 200 mil empregos diretos e indiretos durante as fases de implantação e operação. Especialistas afirmam que o corredor pode ajudar a reequilibrar a matriz de transporte brasileira, hoje concentrada nas rodovias. Segundo a Petrocity, um comboio com cem vagões pode substituir até 300 carretas, com custo logístico menor e redução significativa de emissões de carbono. A promessa de ganhos econômicos tem atraído produtores agrícolas, empresas de mineração e indústrias que buscam novas saídas para o porto capixaba.
Embora o foco inicial seja o transporte de cargas, a empresa admite que estuda, para o futuro, a possibilidade de viagens de passageiros. No cenário atual, a operação não se sustenta economicamente, mas a ideia permanece no horizonte.
A ferrovia também simboliza um novo momento do setor. O Pró Trilhos, criado pela Medida Provisória nº 1.065/2021, autorizou empresas privadas a construir e operar ferrovias sem depender do modelo tradicional de concessão. Segundo a referência, o Ministério da Infraestrutura já recebeu 76 pedidos, que somam 19 mil quilômetros de novas linhas privadas, com investimentos superiores a R$ 224 bilhões e estimativa de gerar 2,6 milhões de empregos.
A ferrovia recebeu o nome de Juscelino Kubitschek como homenagem ao espírito desenvolvimentista que marcou a criação de Brasília. Se o cronograma for cumprido, a linha será a maior ferrovia privada do Brasil, conforme a referência.
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