Goiânia, Sábado, 17 de outubro de 2026
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Brasil, Goiás, Goiânia

Minaçu abriga única mina de terras raras fora da Ásia e atrai US$ 2,8 bilhões

Complexo de argila iônica no norte de Goiás foi adquirido pela norte-americana USA Rare Earth e coloca o estado no centro da transição energética

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Minaçu abriga única mina de terras raras fora da Ásia e atrai US$ 2,8 bilhões

O município de Minaçu, no norte de Goiás, abriga a única operação comercial de terras raras de argila iônica fora da Ásia. O complexo, que pertencia ao Grupo Serra Verde, foi adquirido pela norte-americana USA Rare Earth em uma transação de US$ 2,8 bilhões, colocando o solo goiano no centro da geopolítica da alta tecnologia e da transição energética.


As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica com propriedades magnéticas e ópticas únicas. São consideradas as "vitaminas" da indústria moderna, porque pequenas quantidades potencializam a eficiência de componentes eletrônicos. Em Minaçu, o destaque está nos elementos pesados e leves de alto valor, como neodímio e praseodímio (NdPr), essenciais para superímãs permanentes, e disprósio e térbio (DyTb), aditivos que garantem o funcionamento desses ímãs sob temperaturas extremas.


Sem esses minerais, torna-se inviável produzir motores de carros elétricos, turbinas de energia eólica, telas de smartphones, discos rígidos e sistemas de defesa e aeroespaciais avançados.


O diferencial estratégico de Goiás está em quebrar o monopólio chinês. A maior parte das reservas mundiais e do refino de terras raras está concentrada na China. Além disso, o tipo de depósito encontrado em Minaçu — a argila iônica — oferece vantagem ambiental e econômica: o minério está contido em argilas superficiais, o que exige menos energia, processamento químico simplificado e não gera resíduos radioativos complexos. O produto goiano é considerado altamente atrativo para mercados exigentes como o europeu e o norte-americano.


Para Goiás, a consolidação do polo mineral representa injeção expressiva de investimentos, arrecadação de royalties (CFEM) e geração de empregos qualificados no norte do estado, transformando a dinâmica socioeconômica da região de Minaçu.


O avanço estrangeiro sobre as reservas goianas, porém, acendeu debates em Brasília e Goiânia. Especialistas e frentes políticas discutem a importância de o Brasil não ser apenas exportador de matéria-prima bruta. O desafio para os próximos anos será atrair indústrias que utilizem as terras raras para fabricar ímãs e componentes finais dentro do próprio território goiano, agregando valor à riqueza que sai do solo.

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Tags: #Minaçu #mineração #terras raras #transição energética #USA Rare Earth

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