Goiânia, Terça-feira, 20 de outubro de 2026
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Cidades, Goiânia

Cesta básica em Goiânia chega a R$ 808,01 e consome 53,89% do salário mínimo

Alta de 13,72% em 12 meses supera reajuste do mínimo; tomate e batata lideram pressão sobre o orçamento das famílias

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Cesta básica em Goiânia chega a R$ 808,01 e consome 53,89% do salário mínimo

O trabalhador de Goiânia remunerado com um salário mínimo precisou desembolsar R$ 808,01 para comprar a cesta básica em setembro, valor que corresponde a 53,89% da renda líquida. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que apontou alta de 13,72% em 12 meses e de 4,54% entre agosto e setembro.


Para adquirir os 13 alimentos pesquisados, o trabalhador com salário mínimo de R$ 1.621 teve de cumprir 109 horas e 40 minutos de jornada. O restante da renda precisa cobrir aluguel, energia, transporte, água, medicamentos e demais despesas. Segundo o economista Marcelo Marques, a relação entre o encarecimento dos alimentos e a renda das famílias é central para entender a perda de poder de compra.


“Quando a cesta básica aumenta mais que o salário, o trabalhador perde poder de compra. O problema não é apenas pagar mais caro no supermercado. É preciso retirar dinheiro de outras despesas para garantir a alimentação. E esse impacto é maior entre as famílias de menor renda”, afirmou ao Mais Goiás.


Os números do Dieese mostram quais itens mais pressionaram o orçamento. Em 12 meses, a batata acumulou alta de 77,78%, o tomate ficou 70,20% mais caro e o feijão carioca subiu 46,22%. Somente em setembro, o tomate aumentou 38,48% e a batata registrou elevação de 26,70%. O arroz subiu 5,22% no mês, o óleo de soja avançou 2,96%, a carne bovina de primeira ficou 2,20% mais cara e o leite integral teve alta de 1,45%. Na direção oposta, o feijão carioca caiu 4,92% e a farinha de trigo recuou 2,63%.


Marcelo Marques explica que as oscilações dependem das condições específicas de cada produto, sobretudo os perecíveis. “O tomate e a batata são exemplos de produtos muito sensíveis às condições climáticas e à oferta. Quando uma região produtora enfrenta problemas na safra, a quantidade disponível pode diminuir e os preços reagem”, analisa.


A pressão não é exclusiva do Brasil. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) registrou alta de 5,8% nos preços internacionais dos alimentos nos 12 meses encerrados em setembro, com avanço de 1,5% apenas naquele mês. A entidade citou problemas de transporte, dificuldades de abastecimento e condições climáticas desfavoráveis.


Segundo o economista, conflitos e custos globais chegam ao consumidor pela cadeia produtiva. “Se o conflito encarece o petróleo, aumenta o custo do transporte. Se compromete o fornecimento de fertilizantes, o produtor pode gastar mais para plantar. Esses custos percorrem a cadeia produtiva até chegar ao consumidor”, detalha. Ele ressalta, porém, que não se pode atribuir toda a inflação dos alimentos às guerras, pois o país também enfrenta fatores internos como clima, safra, logística e custos de produção.


O IBGE mostra que Goiânia registrou inflação de 1,07% em setembro, contra 0,82% na média nacional. No grupo alimentação e bebidas, a alta chegou a 1,51% na capital goiana, acima dos 0,83% do país. O salário mínimo passou de R$ 1.518 em 2025 para R$ 1.621 em 2026, reajuste de cerca de 6,8%, bem abaixo da alta de 13,72% da cesta no mesmo intervalo. O comprometimento da renda líquida com alimentos subiu de 50,60% para 53,89% em um ano.


“O trabalhador pode receber um reajuste salarial e, mesmo assim, perder poder de compra. Isso acontece quando os produtos essenciais aumentam mais rapidamente que sua remuneração”, pontua Marques. Para o futuro, o economista evita previsões fechadas: “Uma safra maior pode reduzir o preço de determinados produtos. Por outro lado, problemas climáticos, combustíveis caros e interrupções no abastecimento podem provocar novos aumentos. O cenário precisa ser acompanhado, produto por produto.”

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Tags: #cesta básica #Dieese #Goiânia #inflação de alimentos #salário mínimo

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