Goiânia, Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
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Ilha da Queimada Grande: o lar de 15 mil cobras venenosas no litoral de SP

Conhecida como Ilha das Cobras, local abriga a maior densidade populacional de uma única espécie de serpente no mundo e tem desembarque proibido para turistas.

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Ilha da Queimada Grande: o lar de 15 mil cobras venenosas no litoral de SP

Localizada a 36 quilômetros do litoral sul de São Paulo, entre os municípios de Itanhaém e Peruíbe, a Ilha da Queimada Grande é coberta pela Mata Atlântica, não tem praias e é de difícil acesso. Mas o que realmente afasta visitantes é a sua população: milhares de cobras venenosas. O local é o que apresenta a maior concentração de serpentes no Brasil.


Segundo biólogos do Instituto Butantan, que estudam os animais da região desde 1911, a população estimada de cobras na ilha é de pelo menos 15 mil indivíduos. O local abriga duas espécies de jararacas: a ilhoa (Bothrops insularis) e a dormideira (Dipsas mikanii). A primeira é endêmica da ilha, ou seja, não ocorre em nenhum outro lugar do mundo.


Em relação à concentração de serpentes, segundo o Butantan, a Ilha da Queimada Grande só perde para a Ilha de Shedao, na China, que abriga cerca de 20 mil desses animais. No entanto, a ilha paulista detém o título de local com maior densidade populacional de uma única espécie de serpente no mundo, devido à quantidade de jararacas-ilhoa que vivem em seu território.


Pesquisadores do Butantan tiveram o primeiro contato com a jararaca-ilhoa, até então desconhecida pela ciência, no início do século 20. Ela foi identificada como uma nova espécie em 1921 pelo herpetólogo Afrânio do Amaral, pesquisador do Butantan. Desde então, o centro de pesquisa biológica paulista, especializado em animais venenosos e peçonhentos, vem estudando a serpente.


De acordo com estudos mais recentes do Instituto, o desenvolvimento dessa espécie ocorreu por causa do isolamento geográfico, a partir da separação desse pedaço de terra do continente há cerca de 10 mil anos. Uma vez isoladas, as jararacas evoluíram e se adaptaram às condições da ilha.


Entre as diferenças da espécie ilhoa para suas parentes continentais, o Butantan menciona que a jararaca de Queimada Grande desenvolveu a capacidade de subir em árvores, o que não é natural para as jararacas do continente. A ilhoa é a única cobra do Brasil capaz de viver no alto. A habilidade surgiu para que o animal se alimentasse mais facilmente do único tipo de presa disponível: as aves.


Além disso, segundo o Butantan, o veneno da jararaca-ilhoa também evoluiu de forma a ser mais potente para suas presas específicas. Em seres humanos, o veneno deste tipo de jararaca é capaz de matar em até seis horas após a picada.


A ilhoa também é ligeiramente menor, atingindo entre 0,5 e 1 metro de comprimento, enquanto o tamanho médio da jararaca comum (Bothrops jararaca) é de 1,2 a 1,6 metro. Entretanto, o Butantan afirma que a espécie pode chegar aos 2 metros de comprimento.


O primeiro registro histórico da Ilha da Queimada Grande data de 1532, resultado da expedição colonizadora enviada ao Brasil comandada pelo militar português Martim Afonso de Souza, informa o artigo “Instituto Butantan e a jararaca-ilhoa: 100 anos de história, mitos e ciência”, realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Laboratório de Ecologia e Evolução do próprio Instituto.


Mas a ilha era inabitada até o final do século 19, quando a Marinha do Brasil implantou um farol de balizamento marítimo no local, cuja manutenção era realizada por faroleiros que residiam ali. O trabalho era difícil e perigoso por conta do risco de ataques das serpentes.


Ainda segundo o artigo, a própria Marinha do Brasil, por diversas vezes, ateou fogo na mata da ilha na tentativa de acabar com a população excessiva de cobras. O nome “Queimada Grande” é resultado desses recorrentes incêndios, tão fortes que podiam ser avistados do continente.


Desde que o farol foi automatizado na década de 1920, ninguém mais reside na Ilha das Cobras. Segundo a Prefeitura de Itanhaém, o desembarque de turistas é proibido e apenas profissionais da área ambiental estão autorizados a frequentar o local. Desde 1985, a área é tombada como uma Unidade de Conservação Federal.

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Tags: #cobras venenosas #Ilha da Queimada Grande #Instituto Butantan #jararaca-ilhoa #litoral de São Paulo

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