Vampiros da vida real: entenda a síndrome de Renfield, condição que provoca desejo por sangue
Pesquisa aponta que pessoas com hematomania consomem sangue de doadores de forma controlada e não têm relação com criaturas folclóricas.
Você sabia que os vampiros existem na vida real? Não se trata de criaturas mortas-vivas que vagam pela noite, mas de pessoas com uma condição psicológica que as faz beber sangue. Segundo pesquisa de John Edgar Browning, da Universidade do Estado da Louisiana, foram identificadas 50 pessoas em Nova Orleans que se declaram vampiras. A Atlanta Vampire Alliance estima que haja 5 mil vampiros nos Estados Unidos.
Essa condição é chamada síndrome de Renfield, ou vampirismo, um distúrbio psicológico em que a pessoa sente desejo exacerbado de ingerir sangue. O primeiro diagnóstico conhecido remonta ao século XVIII, quando Petar Blagojević, na cidade de Kisilova, no Sacro Império Romano-Germânico, teria atacado e sugado o sangue de nove pessoas ao longo de oito dias. O caso foi publicado em jornais e o vampirismo se espalhou como epidemia pela Europa Oriental.
Diferente da ficção, os vampiros reais não mordem pescoços. Eles consomem sangue por meio de pequenas incisões feitas por profissionais de saúde em áreas macias do corpo de doadores voluntários. Os doadores assinam termo de consentimento e passam por exames médicos. A quantidade é pequena: algumas colheres de chá por semana são suficientes para satisfazer a necessidade.
A hematomania é rara e o desejo por sangue é real, não voluntário. Costuma se manifestar na puberdade e pode se tornar um transtorno se a pessoa não aceitar a condição. Quando negam a vontade, os vampiros podem tentar substituir por sangue animal, mas os sintomas se intensificam, semelhantes aos da abstinência de drogas. Após aceitar a condição e encontrar apoio em grupos, o ato de beber sangue passa a ser visto com reverência e até sensualidade.
Nem todos os vampiros vestem preto: apenas 35% têm um guarda-roupa sombrio. Eles também não gostam de ser chamados de vampiros, pois o estigma de Hollywood não corresponde à realidade. Por isso, raramente revelam suas práticas, nem mesmo a médicos ou psicólogos fora de seus grupos.
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